sexta-feira, 31 de julho de 2009

Twitting

No começo eu achava uma bobagem plena esse negócio de Twitter, sem saber muito bem do que se tratava. Assim como, no começo, achava uma bobagem plena esse negócio de blog, sem saber muito bem do que se tratava.

O Saramago falou do grunhido, e eu achei ótimo, assinei veementemente embaixo, cheia de ideias contra a suposta superficialidade do Twitter etc. Até que ontem, durante um café ou dois aqui em Laranjeiras, a Celina Portocarrero me explicou que não se trata disso. Segundo ela, são como posts-haikais.

Com isso ela me ganhou para a coisa, e lá estou eu no Twitter faz umas 24 horas.

Mas me mantenho firme na crença de que bom mesmo é vida ao vivo. E que nenhuma rede social virtual substitui encontros, conversas, a experiência direta das coisas e o convívio real, occhi occhi, com as pessoas. Importante é saber separar o joio do trigo, usar certos recursos pelo que eles têm de prático, útil e interessante. Depois dar um pulo ali na rua para comprar um pão, dizer oi ao jornaleiro, sentir na cara o pingo da chuva. Aliás, está na hora de encerrar este post.

O clipe do livro

Ficou pronto e já está no youtube o clipe de A sereia e o caçador de borboletas, meu último livro para crianças.
Maria Camargo dirigiu. Nina e João leram. Adriana Lisboa e Rui de Oliveira deram uns palpites. A Documenta Filmes produziu. Frédéric Chopin fez o som. E aqui está.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Três por cento




Three Percent: Texas and Translations, nota sobre a reativação da série The Americas, da University of Texas Tech Press, dedicada à literatura latinoamericana em tradução nos Estados Unidos.
O primeiro livro a ser editado nessa nova fase da série é The Last Reader, de David Toscana, em tradução de Asa Zatz.
Depois virão, entre outros, romances de Tim Z. Hernandez, Manuel Zapata Olivella e o meu Symphony in White, em tradução de Sarah Green.
Na cota dos três por cento - o total aproximado dos livros em tradução publicados nos Estados Unidos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

C. S. Lewis

“O homem que se contenta em ser apenas ele mesmo e, portanto, ser menos, vive numa prisão. Meus próprios olhos não são suficientes para mim, verei por meio dos olhos de outros. A realidade, mesmo vista por meio dos olhos de muitos, não é suficiente. Verei o que outros inventaram. Até mesmo os olhos de toda a humanidade não são o bastante. Lamento que os animais não possam escrever livros. Ficaria contente em saber que face têm as coisas para os olhos de um rato ou de uma abelha. Ainda mais contente ficaria em perceber o mundo olfativo, impregnado com todas as informações e emoções que contém para um cão. A experiência literária cura a ferida da individualidade sem arruinar seu privilégio. Há emoções de massa que também curam a ferida, mas destroem o privilégio. Nelas, nossos seres isolados fundem-se entre si e afundamos de volta à subindividualidade. Mas, lendo a grande literatura, torno-me mil homens e ainda permaneço eu mesmo. Como o céu noturno no poema grego, vejo com uma miríade de olhos, mas ainda assim sou eu quem vê.”

De Um experimento na crítica literária (An Experiment in Criticism)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Claudia, Ondja, Ivana, André e Lu

Lançamentos cariocas na próxima semana:

Na Travessa de Ipanema, segunda (dia 3), a partir das 19h - Claudia Roquette-Pinto e Ondjaki lançam seus novos livros infanto-juvenis: Botoque e Jaguar (a origem do fogo) e O Leão e o Coelho Saltitão (Ed. Língua Geral)

Na Travessa de Ipanema, terça (dia 4) a partir das 20h - Ivana Arruda Leite lança seu romance Hotel Novo Mundo (Ed. 34)

No Bar Belmonte (Rua Jardim Botânico, 617), quinta (dia 6) a partir das 19h - André Giusti lança A liberdade é amarela e conversível (7 Letras)

Na Travessa de Ipanema, quinta (dia 6) a partir das 19h - Luciana Sandroni lança Joaquim e Maria (Companhia das Letrinhas)


terça-feira, 21 de julho de 2009

Versatilidades

Bate-Papo com Adriana Lisboa no Versatilidades, evento que reúne escritores contemporâneos envolvidos, por meio de sua literatura, com outras linguagens da arte.

Num ambiente acolhedor e intimista no Galpão do Sesc Ipiranga, além do bate-papo com a autora num clima descontraído, haverá ainda a exibição de trechos do curta-metragem "O coração às vezes para de bater" e do clipe "A sereia e o caçador de borboletas" com a presença da diretora Maria Camargo. O bate-papo contará ainda com a participação da atriz Susana Fuentes, que fará leitura dramatizada dos textos da autora homenageada. Em seguida, Adriana Lisboa convida Eduardo Kremer, voz e violão, para interpretar canções da MPB.

Nascida no Rio de Janeiro, Adriana Lisboa morou na França e vive hoje entre o Rio e a cidade de Boulder, Colorado, nos Estados Unidos. Estudou música e literatura, foi cantora, flautista e professora. Atualmente, além de ficcionista, é também tradutora e às vezes poeta. Publicou alguns romances e uma novela, integrou diversas antologias de contos no Brasil e no exterior. Seus livros foram publicados também em Portugal, Itália, Suécia, França, Suíça e México.

No SESC Ipiranga
Dia 25 de julho, sábado, às 17:30
O evento é gratuito e livre para todos os públicos

SESC Ipiranga
rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga
São Paulo - SP - cep 04203-000


telefone: 11 3340-2000
e-mail: email@ipiranga.sescsp.org.br




sexta-feira, 17 de julho de 2009

A arte de ler - Émile Faguet


Ficou pronta e muito bonita a edição da Casa da Palavra de A arte de ler, de Émile Faguet, projeto de tradução que apresentei à editora em 2006. Com esse projeto ganhei uma bolsa do Centre National du Livre, na França, e contei com a ajuda de Celina Portocarrero na tradução dos poemas (não sou nem besta).

No Boa Leitura, da Ed. Abril, o livrinho veio recomendado, com estas palavras:

"A ARTE DE LER", de Émile Faguet, tradução de Adriana Lisboa, Casa da Palavra, 144 páginas. Membro da Académie Française (Academia Francesa de Letras) e colaborador do importante "Journal des Débats", Émile Faguet (1847-1916) consagrou-se com sua obra crítica tanto literária quanto teatral. Neste livro, defende o argumento de que o ato de ler é essencialmente a arte do pensar com cuidado e esmero. Na obra, ele discute a diferença entre livros de ideias e livros de sentimento, além de falar sobre a apreciação de peças teatrais. Também trata da condição especial exercida pelos poetas. Não foge da análise sobre escritores obscuros ou considerados ruins. Aponta para os inimigos da leitura. E discorre ainda sobre o prazer existente nas releituras.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Para gostar de ler

Claudia Lage, autora dos inesquecíveis contos de A pequena morte e outras naturezas (Record) traz pra gente o seu primeiro romance, uma escrita à qual vem se dedicando ao longo dos últimos anos: Mundos de Eufrásia (também pela Record). Conheci alguns trechos dele num encontro em... 2006, acho. E me encantei.

Da sinopse: "O romance revela a real e conturbada história do amor impossível entre o abolicionista Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite, uma mulher muito à frente de seu tempo. De forma atípica para os padrões da época, Eufrásia foi criada pelo pai para ser a herdeira e gestora de sua imensa fortuna. Com a morte dele, ela assume os negócios e surpreende a todos com um notável talento para administrar e multiplicar seu patrimônio e ainda garantir sua emancipação econômica em pleno Brasil Imperial. Mas a promessa de que nunca iria se casar - feita ao pai no leito de morte e sempre lembrada pela irmã, com quem teve uma relação de amor e ódio durante toda a vida - tem um preço alto, condenando seu romance com o rebelde Joaquim Nabuco."

O lançamento vai ser dia 22, quarta feira, às 19h na Argumento (Dias Ferreira 417, Leblon, Rio).

*

Duas leituras "de fora":

Prague, de Arthur Phillips, que não se passa em Praga, mas em Budapeste nos anos 90, acompanhando um grupo de cinco americanos e um canadense que se encontram ali por acaso. Um bom livro meio kunderiano que seria ainda melhor se tivesse umas cem páginas a menos.

The End of the Story, de Lydia Davis, que defende e põe em prática a rarefação do enredo (o fim da história!) ao narrar o fim de uma história amorosa através do movimento aleatório da memória. É, também, um livro sobre a escrita.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Gil-mordzinskiana

Daniel Mordzinski fotografou Gilberto Gil em Paris.
Mandou esta aqui especialmente para os Caquis.

sábado, 11 de julho de 2009

Poesia sábado: Eucanaã Ferraz


Estrelas desabassem,
pesadas, inteiras,
como a água cai
da torneira.

Assim, um amor
absoluto e agora,
na emergência de
umas poucas horas.

Nelas coubessem, porém,
gestos por onde, gáveas
acima, ciências,
alianças, edifícios

que só imaginamos possíveis
ma urdidura dos anos. Tudo,
momentaneamente, largo
na caixa mínima de um dia.

Um dia? Menos: uma pouca hora.
Tempo suficiente para ignorarmos
o metro dilatado do medo, do talvez,
dos mapas e planos.

O porvir (desejá-lo) sumiria
num rapto. Em seu lugar,
o fio repentino do êxtase,
a luz plena de um raio.


*

De Rua do mundo (Cia das Letras, 2004).

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O medo e o mar


Maria Camargo convida.
O livro está lindo.
Clique no convite para ler melhor.

domingo, 5 de julho de 2009

Le cœur


A bela capa da edição suíça de O coração às vezes para de bater, enviada gentilmente pelo Dominique Nédellec, o (excelente) tradutor do livro. Pela editora La Joie de Lire.

O texto da quarta capa: "Rio de Janeiro. Le jour de ses quinze ans, un garçon se réfugie, bouleversé, chez sa petite amie, après une nuit à l’hôpital où il a accompagné son nouvel ami qui s’est fait renverser par une voiture. Comme par nécessité, il écrit sur l’ordinateur de Paloma ce texte - une lettre ? - pendant la semaine qui suit l’accident."

sábado, 4 de julho de 2009

Poesia sábado: Henrique Rodrigues

TRÊS DERIVAS

I - O mar e o céu

Enquanto afundo, tudo é leve e denso.
Na superfície jaz cada lembrança,
E surge uma memória nova: dança
Em tom suave a cada vez que penso.

Enquanto afundo, sinto-me suspenso
Nos braços d'água, feito uma criança
Que aceita a novidade e não se cansa,
Vulcão que queima sob o mar imenso.

Enquanto afundo, o barco é já distante
Escombro. Sobrevôo nos ilhéus,
Nas ondas da maré de lua minguante.

Pareço ser um deus vindo dos céus
A todos os seres deste estranho mundo.
Tal anjo, desço à terra enquanto afundo.


*


De A musa diluída (Ed. Record), o belo livro líquido do Henrique.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Na Uerj


Um encontro com os alunos, no auditório da pós-graduação em Letras, para um papo sobre Rakushisha. No dia 8, próxima quarta, às 15h.
O Instituto de Letras da Uerj fica no 11° andar (saudoso 11° andar, que frequentei durante 7 anos...), no campus do Maracanã.
A apresentação é da Prof. Carlinda Nuñez.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pernambucanas (com João Cabral) II

Agulhas

Nas praias do Nordeste, tudo padece
com a ponta de finíssimas agulhas:
primeiro, com a das agulhas da luz
(ácida para os olhos e a carne nua),
fundidas nesse metal azulado e duro
do céu dali, fundido em duralumínio,
e amoladas na pedra de um mar duro,
de brilho de peixe também duro, de zinco.
Depois, com a ponta das agulhas do ar,
vaporizadas no alíseo do mar cítrico,
desinfetante, fumigando agulhas tais
que lavam a areia do lixo e do vivo.

2

Entretanto, nas praias do Nordeste,
nem tudo vem com agulhas e em lâmina:
assim, o vento alíseo que ali visita
não leva debaixo da capa arma branca.
O vento, que por outras leva punhais
feitos do metal do gelo, agulhíssimos,
no Nordeste sopra brisa: de algodão,
depontado; vento abaulado e macio;
e sequer em agosto, ao enflorestar-se
vento-Mata da Mirueira a brisa-arbusto,
o vento mete metais dentro do soco:
então bate forte, mas sempre rombudo.


*

João Cabral de Melo Neto, de A educação pela pedra


meninos, espuma nos arrecifes. o Recife

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