Estrelas desabassem,
pesadas, inteiras,
como a água cai
da torneira.
Assim, um amor
absoluto e agora,
na emergência de
umas poucas horas.
Nelas coubessem, porém,
gestos por onde, gáveas
acima, ciências,
alianças, edifícios
que só imaginamos possíveis
ma urdidura dos anos. Tudo,
momentaneamente, largo
na caixa mínima de um dia.
Um dia? Menos: uma pouca hora.
Tempo suficiente para ignorarmos
o metro dilatado do medo, do talvez,
dos mapas e planos.
O porvir (desejá-lo) sumiria
num rapto. Em seu lugar,
o fio repentino do êxtase,
a luz plena de um raio.
*
De Rua do mundo (Cia das Letras, 2004).
1 comentários:
obrigada por ter postado esse poema, Adriana. é lindo, lindo, lindo...
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